JUDÔ Para conservar a raiz
O segredo para executar dois fortes golpes da arte com perfeição
Defensor da prática não competitiva, mestre Altair Araújo ensina o segredo para executar dois fortes golpes da arte com perfeição
Publicado no Correio Braziliense dia 26 de dezembro de 2009, Brasilia , DF.
Todas as idades
Sensei Altair prega que não existe idade para praticar a arte marcial. “Temos um faixa preta que começou aos 33 anos. Não existe faixa etária para a prática do judô”, afirma. Para ele, os benefícios vão além de melhorar a auto-estima do praticante. Para cada etapa da vida, o esporte tem um valor:
Infância: educação complementar. O que os pais não conseguem fazer, o professor consegue. Um exemplo disso é comer verduras. “O pai diz para o filho que tem que comer, já o professor diz que para ficar forte como o professor, tem que comer”, explica.
Adolescência: guia de caminhos corretos. Ele vai trabalhar e desenvolver o respeito e a disciplina.
Fase adulta: válvula de escape. É um meio de se manter bem física e mentalmente.
Curiosidade
Os princípios que inspiraram Jigoro Kano – fundador do judô (1882) – quando ele idealizou a arte marcial foram:
» Máxima eficiência com o mínimo de esforço (Seiryoku Zen’Yo)
» Prosperidade e benefícios mútuos (Jita Kyoei)
» Suavidade, ou seja, o melhor uso de energia (Ju)
Saiba mais
O judô possui cinco fundamentos:
• Shinsei (postura): shisentai, que é a postura natural do corpo e jigotai, a postura defensiva;
• Shintai (movimentação): aiumy-ashi, andando normalmente e suri-ashi, andando arrastando os pés;
• Tai-sabaki (giros do corpo): mai-sabaki (para frente), ushiro-sabaki (para trás) ou yoko-sabaki (para os lados);
• Kumi-Kata (pegadas): existem inúmeros tipos, sendo apenas proibida a pegada por dentro da manga e da barra da calça. A pegada pode ser feita no eri (gola) e sode (manga). Pode ainda ser de direita (migui) ou de esquerda (hidari). Neste ano, houve uma reforma nas regras e foi proibida a pegada na calça (chitabaki);
• Ukemi (amortecimento de quedas): os “rolamentos” são fundamentais para a segurança do praticante. A física explica: estas técnicas dissipam a energia cinética que, se fosse transferida na sua totalidade para os órgãos internos, poderia causar prejuízo à saúde.
Altair Bezerra de Araujo
7 DAN
Escola Nacional de Judô
Criada para dar apoio técnico pedagógico a professores e alunos de judô. Apresentar e discutir soluções de marketing para administração e controle de alunos.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
sábado, 5 de abril de 2008
Nosso Judô Minha Profissão Minha Vida
Conversava com um aluno dias atrás, na academia, e tentava explicá-lo todos os pormenores de um produto que criei -- um software compilando todo o controle necessário de uma turma -- a respeito de judô. Ele é um shodan recém-formado e, portanto, cheio de curiosidade sobre a parte de ensino. Eu tinha argumento para praticamente tudo o que perguntava. De onde ele me sugeriu que escrevesse algo para os mais novos não terem que passar pelas mesmas dificuldades que os mais experientes, como eu, enfrentaram ao abrir caminho na floresta do judô até que o Brasil chegasse ao elevado estágio em que se encontra.
Pois bem, começo com um argumento: se é verdade que, tanto melhor é o judô que se ensina quanto mais dedicação o professor empenhe a seus alunos, pode-se concluir que, para viver de judô, há que se lucrar com ele. Caso contrário, perde o mestre, perdem os discípulos.
Em volta desse grande pilar, erguerei a minha tenda. Isto é, oferecerei algumas dicas para que o professor obtenha sucesso na sua atividade. Enfim, que lucre com ela.
Posso dizer que nos últimos anos recebi quase todas as demandas possíveis de alunos de judô das mais variadas idades e graduações, com suas diferentes ambições e os mais diversos objetivos. Percebi que o professor não pode perder de vista duas questões básicas: 1) O que o aluno quer?; 2) Como não deixá-lo desanimar?
Por outro lado, como professor, por diversas vezes me vi assaltado por interrogações gritantes. O que devo fazer para diminuir a natural rotatividade de alunos na academia? Como deixar o exame de faixa atrativo, necessário e lucrativo? E no período de férias escolares, o que faço da vida? Qual a melhor maneira de controlar a quantidade de treinos de cada aluno?
Bom, vou resumir em três grandes tópicos algumas considerações que ajudam a responder as questões levantadas.
a) Seu produto é sua própria imagem. Venda bem.
b) Seu cliente precisa de atendimento constante. Crie rotinas que o cativem.
c) O pai é tão importante quanto o aluno em si. Alie-se a ele.
Para executar essas três premissas, o professor pode lançar mão de uma série de medidas, adequadas às suas próprias características comportamentais e intelectuais.
Eu, do meu lado, recomendaria que, logo após a matrícula, o aluno receba uma mensagem de agradecimento pela confiança. E quem sabe uma boa conversa sobre as metas e prazos do treinamento. Importante: registre tudo! Faça num caderno, se quiser. Mas há formas mais seguras e profissionais, como o software que mencionei há pouco.
Ao longo dos dias, meses e semanas em que o treinamento se desdobrará use as datas comemorativas para fazer contato com os alunos. Cuidado para não invadir a privacidade dele. Use os meios tecnológicos disponíveis -- e-mails, mensagens pelo celular. Faça da chamada o coração do aluno. Ou seja, faço-o entender que atingirá as metas estabelecidas se cumprir o número de treinos adequado. E poderá estabelecer novas e maiores metas a partir daí. Use sempre discurso positivo. E o mantenha informado da real situação do treinamento.
Para tratar com os pais, estabeleça uma linguagem corporal. Nunca, jamais esqueça o aniversário dos filhos ou interrompa uma explanação deles. Mantenha-os informados a respeito do treinamento e das metas. Mas não os aborreçam com essas informações. É preferível mandá-las por escrito, seja por carta ou por mensagens eletrônicas. Antes de fazer cobranças ou vender qualquer produto, faça um comentário positivo sobre o desenvolvimento do judô dos filhos deles.
É muito mais fácil manter o aluno do que trazê-lo de volta. Por isso, seja profissional e faça o aluno e seu pai perceberem isso. Não haja como se fosse dono do aluno. Se for o caso, indique outra academia perto da casa dele. E jamais esqueça: o bom serviço rende frutos, produz resultados, é sempre procurado e recomendado entre os consumidores. Organize-se, trabalhe e desfrute do privilégio de poder oferecer bons ensinamentos do nosso judô.
Altair Araújo, 6º. dan
Em 03/04/2008, às 19:19, Altair Araujo (61-99661681) escreveu:
Pois bem, começo com um argumento: se é verdade que, tanto melhor é o judô que se ensina quanto mais dedicação o professor empenhe a seus alunos, pode-se concluir que, para viver de judô, há que se lucrar com ele. Caso contrário, perde o mestre, perdem os discípulos.
Em volta desse grande pilar, erguerei a minha tenda. Isto é, oferecerei algumas dicas para que o professor obtenha sucesso na sua atividade. Enfim, que lucre com ela.
Posso dizer que nos últimos anos recebi quase todas as demandas possíveis de alunos de judô das mais variadas idades e graduações, com suas diferentes ambições e os mais diversos objetivos. Percebi que o professor não pode perder de vista duas questões básicas: 1) O que o aluno quer?; 2) Como não deixá-lo desanimar?
Por outro lado, como professor, por diversas vezes me vi assaltado por interrogações gritantes. O que devo fazer para diminuir a natural rotatividade de alunos na academia? Como deixar o exame de faixa atrativo, necessário e lucrativo? E no período de férias escolares, o que faço da vida? Qual a melhor maneira de controlar a quantidade de treinos de cada aluno?
Bom, vou resumir em três grandes tópicos algumas considerações que ajudam a responder as questões levantadas.
a) Seu produto é sua própria imagem. Venda bem.
b) Seu cliente precisa de atendimento constante. Crie rotinas que o cativem.
c) O pai é tão importante quanto o aluno em si. Alie-se a ele.
Para executar essas três premissas, o professor pode lançar mão de uma série de medidas, adequadas às suas próprias características comportamentais e intelectuais.
Eu, do meu lado, recomendaria que, logo após a matrícula, o aluno receba uma mensagem de agradecimento pela confiança. E quem sabe uma boa conversa sobre as metas e prazos do treinamento. Importante: registre tudo! Faça num caderno, se quiser. Mas há formas mais seguras e profissionais, como o software que mencionei há pouco.
Ao longo dos dias, meses e semanas em que o treinamento se desdobrará use as datas comemorativas para fazer contato com os alunos. Cuidado para não invadir a privacidade dele. Use os meios tecnológicos disponíveis -- e-mails, mensagens pelo celular. Faça da chamada o coração do aluno. Ou seja, faço-o entender que atingirá as metas estabelecidas se cumprir o número de treinos adequado. E poderá estabelecer novas e maiores metas a partir daí. Use sempre discurso positivo. E o mantenha informado da real situação do treinamento.
Para tratar com os pais, estabeleça uma linguagem corporal. Nunca, jamais esqueça o aniversário dos filhos ou interrompa uma explanação deles. Mantenha-os informados a respeito do treinamento e das metas. Mas não os aborreçam com essas informações. É preferível mandá-las por escrito, seja por carta ou por mensagens eletrônicas. Antes de fazer cobranças ou vender qualquer produto, faça um comentário positivo sobre o desenvolvimento do judô dos filhos deles.
É muito mais fácil manter o aluno do que trazê-lo de volta. Por isso, seja profissional e faça o aluno e seu pai perceberem isso. Não haja como se fosse dono do aluno. Se for o caso, indique outra academia perto da casa dele. E jamais esqueça: o bom serviço rende frutos, produz resultados, é sempre procurado e recomendado entre os consumidores. Organize-se, trabalhe e desfrute do privilégio de poder oferecer bons ensinamentos do nosso judô.
Altair Araújo, 6º. dan
Em 03/04/2008, às 19:19, Altair Araujo (61-99661681) escreveu:
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segunda-feira, 24 de março de 2008
Evoluir e Lucrar com a Escola Nacional de Judô
A muito tempo os professores de judô se perguntam - Como podemos trabalhar com parcerias onde todos possamos lucrar.
A mais de 10 anos a Escola de Judô produz materiais didáticos e tecnológicos, para apoio aos profissionais da área do judô.
Agora surge uma parceria que pode dar certo: De um lado a tecnologia e a inovação e do outro profissionais comprometidos e engajados.
CLIQUE E VEJA COMO TUDO PODE ACONTECER-Download
A mais de 10 anos a Escola de Judô produz materiais didáticos e tecnológicos, para apoio aos profissionais da área do judô.
Agora surge uma parceria que pode dar certo: De um lado a tecnologia e a inovação e do outro profissionais comprometidos e engajados.
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domingo, 16 de março de 2008
O professor de judô e a alfabetização do corpo
Alfabetização do corpo
Por mera curiosidade, deparei-me faz pouco tempo com um artigo da professora Marília Claret Geres Duran. Versava sobre educação infantil e chamou-me a atenção por uma sentença que me soou óbvia: “a aprendizagem da leitura e da escrita não se dá espontaneamente; ao contrário, exige uma ação deliberada do professor e, portanto, uma qualificação de quem ensina”.
Marília Duran é mestre em Psicologia da Educação e conclui doutorado nesse mesmo ramo na PUC/SP. No artigo de que falo, chamado “Alfabetização: Teoria e Prática”, ela argumenta sobre o desenvolvimento da capacidade de leitura e de escrita no ser humano. Logo depois do período que reproduzi, a professora avança: “ Exige planejamento e decisões a respeito do tipo, freqüência, diversidade, seqüência das atividades de aprendizagem”.
Lendo-a, não pude deixar de fazer um paralelo com o meu próprio universo, o da educação física, de forma geral, e do judô, em particular. Tanto um como o outro, exigem um longo processo de aprendizagem, algo que bem poderia ser chamado de alfabetização do corpo. E nesse campo, a luz do que diz a especialista sobre a alfabetização strictu senso, tenho um depoimento relevante a dar.
Nos últimos anos, de forma intuitiva, desenvolvi uma série de mecanismos que permitem ao profissional de educação física, sobretudo aqueles envolvidos com lutas, a desenvolverem a didática de seu ensino e a melhorarem o aprendizado de seus alunos.
No que tange ao judô, lembro de ter produzido o primeiro mostruário digital de golpes, com fotos, montagens e exibição multimídia, feito para ser armazenado num CD comum; lembro também de ter confeccionado o primeiro material didático para fixação nas paredes das academias, contemplando 128 golpes de todas as divisões do judô; lembro de ter produzido o primeiro programa de computador destinado ao acompanhamento dos alunos pelo professor, inclusive de sua maturação biológica. Nos últimos meses, tenho desenvolvido avaliações teóricas específicas para cada graduação do judô, disponibilizando a correção em tempo real por intermédio da internet.
Embora tenho demorado a me dar conta, o trabalho consistia basicamente em oferecer uma espécie de marco teórico -- construído por mim com o auxílio de mestres já reconhecidos como o estado da arte do judô -- para outros professores Brasil afora. Como o conhecimento não é espontâneo e exige uma qualificação de quem ensina, conforme escrito pela professora paulista, os mecanismos que produzi acabaram se disseminando graças à tecnologia e produzindo efeitos reais.
Hoje, contabilizo mais de 500 academias equipadas com o material didático do que batizei de “Escola de Judô”. Professores do país inteiro ganharam condições de planejar suas “decisões a respeito do tipo, freqüência, diversidade, seqüência das atividades de aprendizagem” da alfabetização do corpo. E o resultado pode ser medido pelas competições nacionais, nas quais tem havido ultimamente um ganho de performance considerável de estados de até então pouca expressão no judô.
A construção do marco teórico numa atividade eminentemente prática, como o é a educação física e também o judô, assaltou-me de forma intuitiva. Mas ajudou a cristalizar em mim a idéia de que o profissional, sobretudo o professor, exerce em plano mais elevado seu sagrado ofício de ensinar quando consegue unir teoria, tecnologia, prática e dedicação a seus alunos em seu modo de operação. Estou certo de que, hoje, qualquer um pode trilhar por esse caminho virtuoso da educação. Basta querer.
O material didático citado no artigo pode ser encontrado no site www.judobrasil.com .
Altair Araújo é profissional de educação física e graduado como 6o. Dan de judô.
Por mera curiosidade, deparei-me faz pouco tempo com um artigo da professora Marília Claret Geres Duran. Versava sobre educação infantil e chamou-me a atenção por uma sentença que me soou óbvia: “a aprendizagem da leitura e da escrita não se dá espontaneamente; ao contrário, exige uma ação deliberada do professor e, portanto, uma qualificação de quem ensina”.
Marília Duran é mestre em Psicologia da Educação e conclui doutorado nesse mesmo ramo na PUC/SP. No artigo de que falo, chamado “Alfabetização: Teoria e Prática”, ela argumenta sobre o desenvolvimento da capacidade de leitura e de escrita no ser humano. Logo depois do período que reproduzi, a professora avança: “ Exige planejamento e decisões a respeito do tipo, freqüência, diversidade, seqüência das atividades de aprendizagem”.
Lendo-a, não pude deixar de fazer um paralelo com o meu próprio universo, o da educação física, de forma geral, e do judô, em particular. Tanto um como o outro, exigem um longo processo de aprendizagem, algo que bem poderia ser chamado de alfabetização do corpo. E nesse campo, a luz do que diz a especialista sobre a alfabetização strictu senso, tenho um depoimento relevante a dar.
Nos últimos anos, de forma intuitiva, desenvolvi uma série de mecanismos que permitem ao profissional de educação física, sobretudo aqueles envolvidos com lutas, a desenvolverem a didática de seu ensino e a melhorarem o aprendizado de seus alunos.
No que tange ao judô, lembro de ter produzido o primeiro mostruário digital de golpes, com fotos, montagens e exibição multimídia, feito para ser armazenado num CD comum; lembro também de ter confeccionado o primeiro material didático para fixação nas paredes das academias, contemplando 128 golpes de todas as divisões do judô; lembro de ter produzido o primeiro programa de computador destinado ao acompanhamento dos alunos pelo professor, inclusive de sua maturação biológica. Nos últimos meses, tenho desenvolvido avaliações teóricas específicas para cada graduação do judô, disponibilizando a correção em tempo real por intermédio da internet.
Embora tenho demorado a me dar conta, o trabalho consistia basicamente em oferecer uma espécie de marco teórico -- construído por mim com o auxílio de mestres já reconhecidos como o estado da arte do judô -- para outros professores Brasil afora. Como o conhecimento não é espontâneo e exige uma qualificação de quem ensina, conforme escrito pela professora paulista, os mecanismos que produzi acabaram se disseminando graças à tecnologia e produzindo efeitos reais.
Hoje, contabilizo mais de 500 academias equipadas com o material didático do que batizei de “Escola de Judô”. Professores do país inteiro ganharam condições de planejar suas “decisões a respeito do tipo, freqüência, diversidade, seqüência das atividades de aprendizagem” da alfabetização do corpo. E o resultado pode ser medido pelas competições nacionais, nas quais tem havido ultimamente um ganho de performance considerável de estados de até então pouca expressão no judô.
A construção do marco teórico numa atividade eminentemente prática, como o é a educação física e também o judô, assaltou-me de forma intuitiva. Mas ajudou a cristalizar em mim a idéia de que o profissional, sobretudo o professor, exerce em plano mais elevado seu sagrado ofício de ensinar quando consegue unir teoria, tecnologia, prática e dedicação a seus alunos em seu modo de operação. Estou certo de que, hoje, qualquer um pode trilhar por esse caminho virtuoso da educação. Basta querer.
O material didático citado no artigo pode ser encontrado no site www.judobrasil.com .
Altair Araújo é profissional de educação física e graduado como 6o. Dan de judô.
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